Tem coisas que não… (Inacio Carreira)

Às vezes, pensando em silêncio ou falando baixinho, em casa ou na rua, pronto para dormir ou em qualquer outro momento da noite ou do dia, de preferência durante o banho, vêm lembranças boas e más, recordações, decepções, esperanças e digressões que falam de coisas que eu negaria, mesmo não buscando, ou querendo, ser tão radical. Mas sendo.
Em outras, os pensamentos ficam como em uma sessão de meditação, assomando com aproximações que me fazem pensar “não tem nada a ver”, “de onde veio isso?” e então percebo que esta é uma observação, uma sinapse dentro daquela lembrança original, agora acompanhada de uma justificativa, o que a torna mais arriscada para o momento reservado ao não pensar.
Entretanto, quando a rádio toca inadvertidamente, ao permitirmos que ela soe na estação preferida, num programa qualquer que não acompanhamos, aquele som estridente e repetitivo move a cada milésimo de segundo as vibrações, rumo ao agora infeliz ouvido interno, “grudando” em nosso cérebro. “Earworm”, diz o bom e velho Google. Eu não sei o que dizer, copio.
Se eu tivesse certeza das coisas, somente de algumas (não precisaria ser o ban ban ban de nada, o Grande Oráculo), mas que essas certezas preenchessem meus dias, ou no mínimo minhas horas, somente algumas horas (não precisava estar presente em todos os momentos), já seria um acontecimento. Dessa vida de “achismos” e talvez, cada um encontrando mais que o outro, não sei…
Às vezes acho, em outras digo talvez, só para não ser repetitivo e despertar no(a) interlocutor(a) um quê de indagação/indignação, tentando fazer com que a conversa prossiga um pouco mais, ou não, mas que seja agradável para ambas as partes, ou só para mim, que entre eu e você me conheço há mais tempo, gosto de mim, sabe? Sem egocentrismo!
Quando ouço a milionésima acusação contra um dandy paulista, agora nobre brasiliense, decano do raposismo brasileiro e, ao mesmo tempo (ou quase, porque o tempo não se sobrepõe a ele próprio, desde que estejamos no mesmo espaço geográfico, embora eu possa almoçar duas vezes no mesmo dia, dependendo da velocidade do jato que leve-me, hipoteticamente – pois que não tenho pretensões de alçar voo internacional, nem nacional – ao outro lado do mundo), percebo – ou percebem meus neurônios, um diatribe que fala (mau, obviamente) às mais comezinhas esperanças de dignidade.
Este é o discurso terceiro-mundista levado à enésima potência, numa época em que ninguém quer afirmar algo, pois que não sabem de nada, nem eu. Se não sabem porque falam? Se não sei porque não calo? Mas os vermes de ouvidos, pegajosa e veementemente, repetem, repetem, repetem… Tem coisas que não é bom começar a ouvir, ou a discutir. Responder, então…

Especial para a Cooperativa de Letras.

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2 respostas para Tem coisas que não… (Inacio Carreira)

  1. Que bela e ampla reflexão dando espaço só para não ser repetitivo e despertar no(a) interlocutor(a) um quê de indagação/indignação, tentando fazer com que a conversa prossiga um pouco mais, ou não, mas que seja agradável para ambas as partes, ou só para mim, que entre eu e você me conheço há mais tempo, gosto de mim, sabe? Sem egocentrismo!§
    Amei tanto quanto a ti.

  2. Bia disse:

    Adoro tudo isso.

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