Pensamentos sobre religião, literatura e a vida (Fernando Bastos)

A religião colocou pesados fardos em nossas costas, porque alguns homens do passado, que acreditavam falar com uma divindade, nutriam ódio à liberdade, ao belo e ao prazer.
Quem diz que ateus e agnósticos não podem ser bons, éticos e felizes, esquece que cerca de 90% dos estupradores e assassinos nas cadeias acreditam em Deus e pertencem a uma religião.
Cristãos procuram amar ao próximo, conforme Jesus ensinou. Mas geralmente esquecem essa regra diante de um ateu, agnóstico ou homossexual.
As crianças deixam de acreditar em Papai Noel por dois motivos: porque aprendem a pensar e porque ele não promete castigá-las caso não acreditem nele.
Se um alienígena, de inteligência e consciência ética superiores a dos humanos, chegasse hoje à Terra e lhe fosse contado que alguns homens do passado conseguiram convencer desde seus contemporâneos até a geração atual, de que foram convocados por Deus para escreverem livros, os quais ensinariam as pessoas a maneira correta de se comportar, e que, por acreditar em tais livros como palavra divina, sucessivas culturas têm se destruído mutuamente, creio que ele voltaria ao seu lar com uma péssima impressão da raça humana.
A religião que seguimos é influência do local em que nascemos e não decorrência de nosso livre-arbítrio. Ninguém é cristão ou judeu porque passou meses meditando numa montanha. O mais fervoroso católico, tivesse nascido num kibutz, veria como inútil as rezas para Jesus e Maria; o mais ortodoxo judeu, tivesse nascido num lar católico, veria como inútil orar diante de um muro de pedras.
Para Deus, o importante é o Amor e fazer o bem; o homem quis complicar e inventou as religiões.
Alguns escritores preferem o reconhecimento ao ouro. Para estes, saber que seus escritos não foram lidos ou não deslocaram rochas é uma frustração terrível, semelhante à dor causada pelo desprezo da pessoa amada.
Escrevo em meio à tempestade, desviando-me das ondas. Mas não desisto, escrever para mim é respirar.
Na leitura, me protejo do mundo.
O livro é meu rivotril.
Não sou eu quem crio minhas histórias; elas já estão lá, eu apenas as ouço e escrevo.
Nunca fale mal de alguém pelas costas. Os ouvintes pensarão que você faz o mesmo com eles.
Geralmente, onde tem saúde não há sabedoria, onde tem sabedoria não há saúde.
As pessoas costumam ser legais até o momento em que discordamos delas.
Mostrar indignação às injustiças, à corrupção e à miséria dos menos favorecidos faz a pessoa sentir-se melhor do que realmente é.
O ser humano costuma reconhecer que a felicidade é simples, quando já está velho, perdeu a saúde, ou está à beira da morte.
Seja o que você acha que deve ser, não o que outros acham que você deve ser.

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5 respostas para Pensamentos sobre religião, literatura e a vida (Fernando Bastos)

  1. Tiago disse:

    Mesmo esse sendo um texto de opinião, gostaria de fazer uma ressalva em relação a parte do texto onde citas que 90% dos estupradores e assassinos creem em alguma divindade, estabelecendo para isso um comparativo com o número de ateus & assemelhados em nosso país, que é segundo o último censo seria de 8% de não religiosos e de 4% de ateus propriamente ditos. O que nos leva a estabelecer o fato de que em termos percentuais existe um número até maior de não-religiosos do que religiosos nas prisões brasileiras.

    Também discordo quando dizes que geralmente os cristãos esquecem o amor ao próximo frente a homossexuais, ateus e agnósticos. Eu como cristão não nutro nenhuma espécie de ódio ou desamor quanto aos citados no texto, e assim como eu, dentro dos meus círculos de relacionamento, conheço muitos que os amam numa boa, mesmo sendo cristãos.
    Entendo que é um texto de opinião, mas generalizações como essas não colabora com a vossa causa, muito pelo contrário.

    Ah, sobre os alienígenas citados, é provável que eles fossem embora pensando: puxa, não fomos os primeiros aliens a aparecer na Terra…

    PS: espero que continue a ser legal comigo, mesmo com nossas discordâncias teológicas… hehe

  2. Fernando Bastos disse:

    Tiago, como vc não concordou com meu texto, acho que não vou mais falar contigo, rssss. Claro que tô brincando. Gosto das discordâncias, qdo manifestadas civilizadamente, como sempre foi seu caso e de outros amigos aqui do blog.
    Qto aos números de presidiários crentes (significando crer numa divindade e ter rel.)eles estão em várias pesquisas. Dão realmente q a maioria dos presos têm religião e acreditam em Deus. Uma minoria é ateia. Quis dizer com isso que mtos religiosos (talvez a maioria) acreditam que para ser bom feliz e ético, tem que acreditar em Deus. O que não é verdade, segundo mostram varias pesquisas onde países com altas taxas de ateísmo (Finlandia, Belgica, Dinamarca, Noruega etc) estão as pessoas mais felizes e que mais respeitam os direitos humanos.
    Qdo falei “geralmente esquecem essa regra diante de um ateu” mostra claramente que não estou generalizando, como vc me acusa (i.é., não falo que todos cristãos esquecem a regra diante de ateus, etc.) portanto, com a devida vênia, creio que você cometeu um equívoco. Como lhe conheço há tempo, sei que vc é um humanista e defensor dos direitos humanos tb, e obviamente não está na lista daqueles que acredito serem a maioria.
    Finalmente, sobre os aliens, parece que vc quis dizer que os ditos profetas que foram orientados (por Deus) a escrever livros eram alienígenas tb? Aí acho que já entramos no campo da fé. Pra mim, Deus nunca contatou profetas para ensinar os outros a melhor maneira de se comportar, como e com quem fazer sexo, que tipo de carne comer, posição melhor pra rezar, como a mulher deve se vestir, como castigar os incréus, etc. Porque tais regras (algumas boas e úteis, mas a maioria racista, misógina, e cruéis) não me parecem ter saído de um Ser sábio e amoroso, como imaginamos ser Deus.
    É minha opinião e claro, qqer um pode discordar.
    Tiago, te agradeço por deixar eu escrever no blog, mesmo sabendo que vc nem sempre concorda. Abs.

    • Tiago disse:

      Viva a diferença!

      Bom, sobre o GERALMENTE, deu a entender que todos agem assim na maioria das vezes. Mas numa segunda leitura, já saquei o que vc quis dizer.

      E a respeito dos aliens, estou no momento inclinado a pensar que existindo um Deus, ele não é desse planeta, logo ele é alienígena (que vem de fora) e concordo que boa parte dos preceitos foram escritos pelos homens que estavam a frente da religião, no fundo são dogmas culturais, alguns até bastante úteis (como a circuncisão para os judeus do êxodo do Egito), outros nem tanto, alguns até nem um pouco…

      Sei lá. Como dizes é campo da fé. Quem porventura um dia descobrir, não vai voltar pra contar…

    • Tiago disse:

      E ainda sobre os presidiários crentes, não nego os dados das pesquisas, apenas afirmo que essa amostragem segue a realidade cá de fora. E quanto mais ateus tivermos no mundo, tantos mais presidiários ateus teremos. Pode-se fazer o mesmo comparativo em qualquer setor da sociedade, com as devidas exceções, geralmente manter-se-á a média.
      Agora concordo que acham que pra ser feliz é preciso crer, mas acho que é mais o cego corporativismo do que qualquer outra coisa. rsrs

      Abração.

      • Fernando Bastos disse:

        nos meus quase vinte anos estudando a fé religiosa, as religiões, (tendo como apoio mtas leituras sobre psicologia das religioes, neurociencias, etc) cheguei a várias conclusões: 1. é impossível saber se existe ou não, um Ser transcendente responsável pela criação do universo. 2. a ideia desse SEr (Deus) é invenção humana, suas características mudam cfe. tempo e lugar, o que prova que o homem é quem dá as caracteristicas deste Ser. (mesmo assim, nao quero dizer que este Ser nao possa existir, mas estou convencido que, se existir, Ele nao é nada disso que as religioes apregoam: um Ser onipotente, que está interessado em assuntos humanos, e intercede por aqueles que rezam pra Ele). 3. crer nessa ideia (um Ser que nos ouve, no ama, e nos atende) pode ser bom e útil tanto qto pode ser ruim e perigoso. Por ex: um homem violento pode se transformar num bom pai de familia e bom cidadao se passar a seguir os ensinamentos de Cristo; ou um homem bom, tranquilo, pode ser o principal responsavel pela morte do filho que ama, ao recusar tranfusão de sangue pra ele, ou ainda, se transformar num homem bomba, e matar dezenas de inocentes, pq acredita que estará fazendo a vontade de Deus. 4. vendo como os países da europa (que se tornaram menos religiosos, commaior numero de ateus, agnósticos e pessoas crentes em Deus, mas q nao seguem nenhuma religiao) são mais pacíficos, organizados, respeitosos aos direitos humanos e liberdade de expressão, nao tenho dúvida de que um mundo pacífico e melhor seria aquele em que nao houvesse religiao. (a crença em Deus poderia continuar, desde que nao fosse nesse deus das religiões, isto é, o deus moralista, que impõe um monte de normas, e promete castigar quem nao crer nele). 5. A religião mais separa que une. É a principal responsavel por guerras, desuniao entre as pessoas. 6. para substituir a religiao como guia de nossas vidas, precisamos da Ciencia e do racionalismo, dos filósofos humanistas, de mais conhecimento e cultura.

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