Um brinde com a mão esquerda (Sônia Pillon)

Esquerda e direita representam os dois lados do observador a partir do centro. Portanto, se manter entre os dois extremos é alcançar o ponto de equilíbrio, certo? Tanto que a frase “O equilíbrio está no caminho do meio” é atribuída a Sidartha Gaumata… Porém, politicamente falando, muitos acreditam que é ficar “em cima do muro”, sem se comprometer…

Mas a verdade é que até na política os posicionamentos extremos, ideologicamente falando, causam transtornos tanto para dominantes como para dominados… A História confirma isso, em todas as épocas e nos cinco continentes.

Associamos o lado direito do cérebro com o pensamento racional, prático, objetivo, e o lado direito, à criatividade, à expressão humana, aos sentimentos e às emoções, e, em síntese, ao coração. Culturalmente, os canhotos durante muito tempo foram discriminados por usarem preferencialmente seu lado esquerdo, apesar de terem, assim como os destros, o comando dos movimentos mais hábeis do lado esquerdo do cérebro.

E é justamente pelo fato do lado esquerdo representar o coração que os noivos passaram a usar a aliança de casamento na mão esquerda… Registros históricos apontam que, por volta de 2800 a.C., os antigos egípcios já usavam um anel para simbolizar o laço matrimonial. Entendiam que um círculo, sem começo nem fim, representava a eternidade da união.

Cerca de dois mil anos depois, os mesmos gregos descobriram o magnetismo, o que acabou influindo também nessa simbologia, por  acreditarem que o terceiro dedo da mão esquerda possuía uma veia que levava diretamente ao coração. Assim, passaram a usar um anel de ferro imantado, para que “os corações dos amantes permanecessem para sempre atraídos um pelo outro”…

Controvérsias à parte, a mesma analogia serve para o costume ancestral de brindar com a mão esquerda. O que pode parecer uma prática incomum para a maioria, mas que é habitual para alguns povos antigos. Aliás, só recentemente soube que levantar uma taça com a mão esquerda faz parte da tradição judaica.

Foi uma surpresa levantar uma taça de vinho com a mão esquerda. Senti uma sensação estranha, uma espécie de excitação, quase infantil, como se estivesse transgredindo algo que eu não sabia definir… A explicação que recebi é que entre os judeus, brindar com a mão esquerda é para equilibrar, como se fossem dois pesos em uma mesma balança…

Pensando bem, hoje é sábado! Esse pode ser um bom motivo para se brindar com a mão esquerda, ou não? Aí é com você…

Sônia Pillon é jornalista e escritora, autora dos sites de literatura Letras et Cetera e Cooperativa de Letras.

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2 respostas para Um brinde com a mão esquerda (Sônia Pillon)

  1. Um brinde a tu.
    Com as duas mãos por via das dúvidas…

  2. Anônimo disse:

    🙂 Obrigada, Tiago! Brindemos a 2014!!

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