Poema da vida (Elianete Vieira)

Poetisa, Iza me conquistou pela doçura. Com 74 anos, cheia de energia, preparou a festa de 80 anos do marido. Amiga virtual, descreveu os docinhos que fez ao me convidar para nos conhecermos.
Dia de comemorar a vida, a saúde, a família. Como é bom ver as pessoas chegando cada vez mais longe – semana passada, o tempo contou 5 anos da partida do meu pai a menos de 4 meses de completar 80 anos.
Me sentindo honrada com o convite, convidei o GPS para me acompanhar e lá fui eu desbravar as ruas desconhecidas de uma cidade vizinha.
No caminho, havia não uma pedra Drummond, mas um vale. Uma rua que desce íngreme e logo sobe mais íngreme ainda. Lá no final, um semáforo segurava os carros prestes a entrar na rodovia. No inicio da subida existe um semáforo que mede a velocidade máxima: 40 km/h.
Independente deste controle os carros nem saíam da 1a marcha. Motoristas sabidos mantinham distância de segurança uns dos outros. Subidona à vista.
Eu, parada, olhando o entorno, vi algumas senhoras bem arrumadas, com Bíblia na mão, caminhando juntas e conversando. Distraídas, atravessaram a rua sem perceber que estávamos em movimento lento parando dois metros depois.
Eu sai e logo parei. Continuei olhando pelo retrovisor. O carro que vinha atrás, havia deixado um espaço de um carro entre o meu e o dele, talvez imaginando que eu poderia dar uma “descidinha” porque foi isso o que ele fez ao iniciar o movimento.
O que ele não previu e uma das senhoras também não, foi que no exato momento da “descidinha”, ela ainda estivesse passando por trás do carro.
Ela talvez não tenha sido motorista ou não seja tão ágil agora com seus belos cabelos prateados.
Eu, parada, aguardando o momento de andar 2-3 metros novamente, vi a senhora sumir atrás do carro. A “descidinha” do carro ao engatar a primeira, derrubou a vovó.
Imediatamente saíram do carro três homens que acudiram a senhora, levando-a nos braços para a segurança da calçada, enquanto o motorista procurava encostar e liberar o tráfego.
Até onde pude ver, a vovó conseguiu ficar em pé, já na calçada. Foi atendida prontamente e as amigas logo a rodearam.
Eu segui em paz, feliz em ver que o pequeno incidente não ficou sem atendimento.
Ah sim, e a festa? Foi maravilhosa.
Com o octogenário feliz cumprimentava a todos, no mundo dele, pois o Alzeimer lhe tira aos poucos a consciência presente, deixando apenas o passado na lembrança. O pastor a todos abençoou. A poetisa contou como eles se conheceram e citou momentos da vida deles em quase 50 anos de casamento.
Ela declamou um lindo poema de amor e confiança, dedicado ao seu príncipe e filha, emocionando os presentes. E assim, poetando a vida, ela comemorará seu aniversário em dezembro com o lançamento do livro que está no prelo.

Elianete Vieira

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