Sete de Setembro – Independência do Brasil nos tempos de ditadura

O Dia 7 de setembro de 1822 foi muito importante na História do Brasil, pois é
a data em que o príncipe regente Dom Pedro, proclamou a Independência do nosso
país, oficializando o rompimento do vínculo de dependência que o Brasil tinha
com relação a Portugal.
Contudo o dia 7 de setembro tem uma importância especial também na minha vida de
estudante.
Quando pequena, nos anos após ditadura, minha mãe conta que, apesar de pobres,
nossa vida era boa, estudávamos em boas escolas municipais, e pudemos comprar
nosso apartamento em 36 parcelas iguais, sem juros e diretamente com o dono.
Ganhávamos uma roupa nova ao ano, não saíamos para almoçar fora, viajávamos a
cada três anos para visitar a vovó Antonia em São Paulo. Aliás, presente de avó
eram cortes de tecido para uma roupa nova adicional, que mamãe cozia. Meu
padrinho me dava boneca. Certa vez, no Natal, pedi para ele uma calculadora de
quatro operações para ajudar nos estudos da Escola Técnica, tinha meus 16 anos.
Porém, minha lembrança de criança é outra: lembro-me perfeitamente que fazíamos
a fila na entrada da escola para cantar o Hino Nacional, enquanto a bandeira
verde e amarela subia devagarzinho no mastro. Era uma honra esperada por todas
as crianças em ser a escolhida para ser as mãozinhas que hasteariam a Bandeira
Nacional naquele dia.
Eu, por ser a mais nova da turma, e menor também, era a primeira da fila e
portanto, tinha uma vista privilegiada. As professoras organizavam as filas por
altura e entoavam as primeiras sílabas do hino. Naquela época não se podia usar
bandeira fora de eventos cívicos, muito menos cantar o hino a qualquer momento.
Setembro, semana da Pátria, outro grande evento de minha infância.
Ensaiávamos na rua, onde ficava o ginásio e como seria organizado o pelotão, por
série e por altura. Todos marchavam alinhados, no ritmo da batida do
instrumento, pois parte da banda tocaria o Hino da Independência. Que hino
bonito!
Em sala de aula aprendíamos a letra e na rua, ensaiávamos a marcha. Entretanto
a expectativa era ser notada pela professora ou pela coordenadora para ser a
escolhida e ter a honra de carregar a bandeira.
Quando eu tinha 12 anos, fui a escolhida! Que emoção!
E no dia sete de setembro, lá fui eu toda orgulhosa, levando a Bandeira do
Brasil, linda, tremulando ao leve vento e separando dois pelotões de alunos. Eu
vinha à frente da minha turma da 6ª série. E sabem porquê eu fui escolhida? Eu
era a melhor aluna entre todos.
Infelizmente, não tínhamos câmera fotográfica, algo que naquele tempo somente os
ricos podiam ter, assim como eram eles que tinham refrigerante nas refeições e
brinquedos de corda.
Hoje, eu gostaria muito de poder mostrar aos meus sobrinhos, como era o dia Sete
e como eu levava garbosamente a Bandeira do Brasil ao vento.

Elianete Vieira

Anúncios
Esse post foi publicado em Prosa e marcado , . Guardar link permanente.

3 respostas para Sete de Setembro – Independência do Brasil nos tempos de ditadura

  1. Inacio Carreira disse:

    Parabéns pelas belas lembranças. O fato dos ricos terem refrigerante é uma coisa boa para os pobres, pois refrigerante é uma porcaria. Melhor água ou suco de frutas. Quanto aos brinquedos de corda, os pobres não tinham acesso por causa da baixa produção. Veja que na atualidade, brinquedos similares estão à disposição de todos em qualquer 1,99…
    O que se depreende de seu relato é que hoje, na maioria das escolas, esse senso cívico tomou rumo ignorado, o respeito às instituições idem, bandeira virou toalha de banho, touca, proteção solar…
    Valeu a lembrança. Também vivi essa época, não sou saudosista mas acredito que estamos nessa onda de violência e de desrespeito generalizado por termos deixado, em algum lugar do passado, o civismo.

  2. Perfeito Inacio. Isso mesmo. Obrigada por completar a ideia.
    Com o passar do tempo os valores financeiros foram mudando, ficando acessíveis, mas os valores morais também mudaram.
    Tenho a impressão de que hoje a bandeira é simbolo de futebol apenas. Não mais de patriotismo e respeito.
    Abraço, Elianete

  3. O civismo e a própria consciência de civilidade está perdida e desgastada. Como seria bom encontrar uma linguagem nova que atingisse nossos jovens e pudessem aprender o significado profundo de Pátria, embora a nossa esteja achincalhada e vilipendiada.
    Fico feliz que meu neto está em colégio militar e tenha orgulho em desfilar e cuidar de seu uniforme de gala. Ele é apenas uma gota no oceano, cabe aos pais, primeiramente através do exemplo e depois, só depois a escola complementar.
    Se o maior símbolo humano da nação, presidente, não é nem um pouco amante da Pátria, como poderemos ensinar nossos jovens que a Pátria deve ser amada e salva, Brasil!

O que tens a dizer sobre o post?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s