Os desafios de Kalu Rinpoche (Sônia Pillon)

Essa é a história de um iluminado tibetano, de uma das linhas milenares mais tradicionais do budismo, associadas a uma vida de contemplação, isolada do mundo real. Com apenas dois anos, foi apontado como a reencarnação de um venerável líder, o que determinou para ele uma vida de retiro, estudo e meditação. E com grandes responsabilidades nas costas.
Ele é uma figura pública que o povo do Tibete costuma reverenciar, e que muitos ocidentais tratam como uma celebridade, comparável a um astro de Hollywood! Situação que sempre o deixou constrangido e que ele nunca incentivou, pelo contrário…
Um dia, quando tinha 19 anos, decidiu deixar a vida aparentemente tranquila e protegida do monastério, onde se sentia triste e solitário, para conhecer a vida lá fora. Para ele, aquele era um espaço lúgubre, lugar onde tinha sofrido abuso sexual de alguns monges, aos 12 anos, e que por isso o fez desacreditar neles. Situação que é muito comum em outras religiões, por sinal…
Ao partir do templo, o jovem reverenciado como um iluminado – ou “bodhisattva da terra”, que nasceu para inspirar as pessoas no caminho do Bem – levava na bagagem todas as inquietações, a curiosidade e os desejos de qualquer outro de sua idade. Foi para a Tailândia, ávido por conhecer as tentações da vida mundana. E ele efetivamente conheceu…
Após seis meses, período em que se apaixonou pelo hip-hop e aprendeu a navegar pela internet e a interagir nas redes sociais, decidiu retomar sua missão e reassumir sua posição na hierarquia budista, para administrar 70 templos espalhados pelo planeta. Se ele é criticado pelos conservadores? Claro que sim! Mas tem plena consciência do seu papel social, agora mais do que nunca.
Transitando entre o mundo real e o espiritual, como um equilibrista em uma corda bamba, o líder espiritual, que hoje tem 22 anos, percorre os cinco continentes para levar a sua mensagem e dispensa idolatrias. Para ele, o mais importante é divulgar a filosofia de vida originada na Índia por Suddartha Gautama, o Sakyamuni, por volta do século V a.C., que prega a bondade, o comprometimento pessoal com a paz e os benefícios da meditação. “Aumentar a qualidade do entendimento”, resume o jovem Kalu Rimpoche, que é visto como um dos elos entre os primórdios e o contemporâneo, com todos os desafios enfrentados no século 21.

Sônia Pillon é jornalista e escritora, autora residente dos sites de literatura Letras et Cetera e Cooperativa de Letras.

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