Escritor Convidado: Robert Brotzke

Vivendo Plenamente

Ali, no aconchego dos cômodos do seu quarto, ele esperava o tempo passar. Só, despido de orgulho e de egoísmo, ele se desfazia em pensamento de tudo o que pra ele era mais precioso.
Nada mais valia a pena, nada mais fazia a menor falta, nenhuma riqueza se fazia realmente grande neste momento. Não porque ele havia perdido a vontade de viver, ou porque resolveu ser adepto do desapego, mas sim, porque ela jamais se faria presente.
Apenas aguardando o melhor momento para esquecer-se de tudo o que vivera, sem arrependimentos, sem remorso, sem tempo a perder dali pra frente. Guardava dentro de si as lembranças de algo que nem lembrava mais ter vivido realmente, e apenas isso bastava para preencher o vazio gigantesco na sua alma.
Ali, em pé à beira do seu corpo dormente, costumava ficar debruçado na janela, olhando para o céu da noite e para o vôo dos pássaros noturnos, esperando pela lua cheia que chegaria dentro de semanas. Ali, maltratava seu corpo enquanto mal se alimentava, abusava do consumo de álcool e do cigarro, soltando a fumaça no vidro já embaçado da pequena janela. Ele tinha consciência de que talvez aquele amor adolescente jamais voltaria: nem na forma da garota que ele conhecera, tampouco na forma de atração tão pura e mística dentro do seu coração, para outra pessoa.
Apenas entorpecia a inquietação de sua alma com o doce sabor do vinho tinto, e dopava sua mente tão ansiosa, com o olhar fixo em direção ao seu passado, fazendo-a esquecer inclusive do seu futuro.
Ele era somente uma semente de uma figueira, caída sobre o asfalto escaldante. Sua missão ainda não fora descoberta, pois não conseguia compreender tamanha grandiosidade da dádiva que recebera. Culpa, ele não tinha. Jamais quis se apaixonar da forma que se apaixonou, o pobre nem sabia o que era amar, ainda mais o que precisava fazer para esquecer tamanho amor que surgiu em seu peito.
O garoto crescia a cada noite em claro, tornava-se homem, e não somente seu corpo ia amadurecendo, mas também sua visão sobre o que realmente aconteceu em sua vida. O cigarro foi apagado, a garrafa esvaziada e abandonada pra sempre em um canto, e um toque quase imperceptível de primavera, fez aquela semente voar até a beira de um rio, onde a água viva e o solo fértil fizeram a árvore crescer, realizando sua missão na Terra dia após dia.
E assim o fez.

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Sobre o autor:

Robert Brotzke tem 26 anos, morador e natural de Jaraguá do sul. Formado em eletrotécnica em 2003 pela WEG e em Administração pela Católica em 2012, autor de blog próprio, e do livro Diário Virtual de Robert Brotzke, a ser lançado em junho deste ano, com aproximadamente 100 crônicas.
Participou do prêmio Sesc de literatura 2012/2013 na categoria “romance”, ficando entre os 50 primeiros.

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4 respostas para Escritor Convidado: Robert Brotzke

  1. Inacio Carreira disse:

    Parabéns, Robert… Bela estreia… Feliz livro novo. Abraços.

  2. pathygrah disse:

    Parabéns Robert! Belíssimo texto!! Seja bem vindo🙂

  3. Elianete Vieira disse:

    Lindo.

  4. beatriz lins disse:

    lindo sucesso

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