Realizando Sonhos (Elianete Vieira)

para blog[1]

Muitos diziam que não chegaríamos ao ano 2000, que não viveríamos para ver a passagem do século porque o mundo acabaria justamente na virada de 1999 para 2000. Mas nós chegamos sim, vivenciamos este raro momento com muita festa e muitos fogos de artifícios.

Em um momento em que a era digital já invadia as nossas vidas, seja através da novela, gravada e transmitida de forma digital, seja pelas fotografias tiradas em câmeras digitais e impressas em papel por opção, seja pelos exames que antes eram chapas escuras com imagens mais claras e hoje são fotos impressas em papel ou até mesmo gravadas em DVD, se torna complicado para algumas pessoas que de repente se vem excluídas de um mundo que até então não lhe fazia falta, mas que filhos, sobrinhos e netos vêm agora lhes cobrando pelo aprendizado. Mas chegou o ano 2000 e logo em seguida como um passe de mágica chegou o ano 2001 quando de fato entramos no século XXI.

Quando eu era criança e as pessoas com mais de 50 anos já eram vistas como velhos, vi meu pai e tios se aposentarem aos 50 anos, eu pensava em 2001 como algo tão longínquo e não me ima­gina que ainda estaria viva para ver tudo o que ocorreria num mo­mento tão grandioso.

Quando chegou, eu trabalhava como suporte à operação em uma companhia de telefonia celular, e o medo girava em torno dos vírus que poderiam ser ativados nesta virada de ano e ainda no que poderia ocorrer quanto aos programas de computador que até então consideravam ano com apenas duas casas: 95, 96, 97, 99… 00

Eis que por meses a fio, programadores do mundo inteiro viraram noites e noites para alterar o código de cada programa para considerar o ano como variável de quatro casas: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 e finalmente 2000.

Trabalhamos super atentos para garantir que nada falharia e que as centrais continuariam comutando as chamadas de boas fes­tas e feliz ano novo que seus assinantes certamente fariam, pois tradicionalmente é a noite do ano quando mais realizamos ligações telefônicas, não é mesmo?

Bem, o ano 2000 começou e passou voando, vieram 2001, 2002 e eis que chegamos a 2010. Ano que ao menos para mim posso afirmar que foi o ano de mudanças diversas. Uma delas estava na resolução de Ano Novo: escrever um livro!

Mas sobre o que escrever? Um livro de ficção ou técnico? Criar cenários, personagens, tramas, escrevendo uma estória? Escre­ver sobre meus conhecimentos e vivências compartilhando com os futuros leitores? Por onde começar? Qual deveria a primeira linha a se escrever? Eram muitas as idéias e me sentia perdida em meio às indecisões, indefinições e ao mesmo tempo à ânsia de começar.

Em meio aos e-mails não autorizados que recebo diariamente veio uma dica: um workshop que me orientaria em como escrever um livro. Enviei o e-mail, marquei minha presença e fiz. Foi um sába­do mágico em meio a uma turma heterogênea de conhecimentos, vi­vências, praticas e objetivos, ouvimos alguém que passou pelo mes­mo momento e pelas mesmas dúvidas. Ele nos contou seus medos, preocupações, dúvidas e suas pesquisas. Fizemos exercícios práticos e ali, naquele momento, tive a certeza de que eu conseguiria sim escrever meu primeiro livro!

Mas as semanas se passaram e não vinha a inspiração criati­va e a dúvida ainda persistia: sobre qual tema escrever? Até que o desejado e inesperado aconteceu. Dirigindo para casa pensei numa introdução. Cheguei em minha casa e escrevi: Introdução. A partir daí fluiu um texto sobre um tema por mim bastante conhecido pois faz parte da minha vida estudantil e profissional.

Foram duas páginas rapidamente redigidas. Enviei para minha sobrinha que perguntou: “quem escreveu?” E eu respondi orgulho­sa: “fui eu!”

Como sou uma pessoa técnica iniciei o projeto pela formatação: escolhi o formato da página, tipo de letra e tamanho, texto para capa, agradecimentos e dedicatória. No dia seguinte parti para o conteúdo e ao completar 20 paginas, enviei para minha irmã e uma amiga lerem para sentir a reação delas. Percebi então que as havia surpreendido!

Neste ponto, as idéias já fluíam rápidas, os dedos ficaram ner­vosos para digitar mais e mais… e o livro crescia!

Que bom! Fui votar e voltei correndo para casa, queria escre­ver mais, já eram 94 páginas! Conforme escrevia, voltava, revisava, inseria imagens.

Até que me dei por satisfeita. Acabei o meu primeiro livro. 128 páginas, 116 imagens! Escolhi a editora, aguardei ansiosamente pela diagramação, capa, registro, até que num belo dia recebi em casa uma caixa com os 100 exemplares encomendados.

Meu Deus! Um sonho descongelado, materializado, quenti­nho saindo do forno!

Uma realidade palpável!

Hoje, um ano após o início do livro, estou aqui lhe contando como é possível superarmos adversidades, persistirmos em nossos planos, realizá-los e depois compartilhá-los como ensinamento e ex­periência para outra pessoa que ainda virá e passará por todos esses passos, como a água do rio que passa e gira a roda d água da vida.

Nunca é tarde para aprendermos algo novo!

Nunca é tarde para recomeçarmos!

Nunca é tarde para realizarmos nossos sonhos!

Elianete Vieira

Esta crônica foi escrita em final de 2011 e publicada no Volume II da Antologia Nossa História, Nossos Autores, lançada durante a 22ª Bienal Internacional do Livro de 2012 em São Paulo pelo Grupo Editorial Scortecci.

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4 respostas para Realizando Sonhos (Elianete Vieira)

  1. Legal. Que bom, fizeste teu primeiro livro.
    Mas moras no Brasil, deves ter sentido que era um pequeno primeiro passo.
    Se não estiveres na mídia, ou fores de imprensa, com nome na telinha, vai ser fogo.
    Luis Antonio de Assis Brasil ensina:
    “Se Kafka fosse brasileiro, ninguém o conheceria.”
    Pego o passo de tua crônica, deste blog literário e convoco a que nós, autores + ou – anônimos, nos reunamos para criar um sistema de divulgação e edição, ou primeiro o segundo e depois o primeiro (rsrsrs) e imprimamos outro veio de possibilidade aos escritores de nosso miserável país em termos culturais.
    Abç

  2. Tiago disse:

    Ser escritor no Brasil, ou melhor escrever livros, não está mais tão difícil. Basta ter perseverança que se chega lá.
    Mas parafraseando a Vana ser reconhecido é “outros quinhentos”. A falta de valorização para a cultura ainda é muito grande em nosso país, contudo seguindo o seu exemplo Elianete creio que ainda podemos mudar isso!

  3. Vana e Tiago, escrever parece ser algo complicado até começarmos. Vocês já passaram por isso e me entendem bem, estão publicando ótimos textos, exercitando sempre e melhorando dia a dia.
    Publicar um livro parece complexo e bicho de sete cabeças até pesquisarmos na internet ou conversarmos com outros autores e descobrimos as editoras de pequena tiragem.
    Uma vez que o livro esteja prontinho em nossas mãos, vem a próxima fase: como divulgar e vender.
    A Vana disse tudo: se não tiver QI (quem indica) na mídia, restará a rede pessoal de amigos, para começar. Esse é o momento mais complicado: entre tornar-se conhecido até ser best-seller há um abismo bem difícil de transpor. Eu ainda estou procurando a ponte. Mas em breve estarei lançando novo livro (2o livro no tema Informática). Sou persistente e meus leitores me incentivam bastante.
    Abraços.

  4. Pegando o gancho da Vana, podemos planejar a publicação de uma antologia com alguns textos já publicados no blog, com a devida autorização e participação de seus autores e, juntos, trabalharmos a divulgação, abrindo portas na mídia, de autores + ou – conhecidos, como ela citou acima.
    Abraços.

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