O livro mágico (Sônia Pillon)

Angelina abriu os olhos e se virou em direção à vidraça do quarto, iluminado pela lua cheia. As cortinas com babados balançavam com a brisa da noite, e a menina sentiu uma vontade irresistível de pular a janela e ir para o jardim. Olhou para as bonecas de pano enfileiradas na estante:
– Vocês não podem sair daí, mas eu posso!

Ela queria ouvir de perto o coaxar dos sapos, o som dos grilos… Ver os vaga-lumes e sentir o aroma das flores. Olhou para o relógio de cabeceira. Passava da meia-noite e o silêncio reinava na casa.

Ela se levantou decididamente, calçou os tênis, abriu a janela e pulou. Caiu sentada na grama úmida, molhou um pouco o pijama cor-de-rosa, mas não se machucou. Ficou rindo por dentro. Se sentia vivendo uma das aventuras da Narizinho, do Sítio do Picapau Amarelo…

Toby, o cachorro da vizinha, começou a latir logo que ouviu o ruído da queda da menina, mas parou, quando a reconheceu. Ao longe, pássaros cantavam, enquanto Lola, a gata de estimação, miava no telhado. No céu, estrelas cintilavam.O coração de Angelina parecia que ia saltar pela boca e os sentidos estavam cada vez mais aguçados.

Foi quando ela avistou um grande livro com capa dourada na escada da varanda. Curiosa, se aproximou e o abriu. Feixes de luzes coloridas saltaram em todas as direções e um grande portal de abriu. Corajosamente, ela atravessou o portal.

Fadas, duendes, faunos, centauros e ninfas pulavam e dançavam alegremente na mata iluminada pelo luar. Um sátiro tocava a Flauta de Pan, atraindo mais e mais dríades em suas vestes esvoaçantes. Ao verem a fascinada Angelina, a convidaram para fazer parte da festa, e ela passou a dançar também.

O Chapeleito Louco, Alice, Branca de Neve e os Sete Anões apareceram em seguida. Zangado preferiu ficar parado, com os braços cruzados e ar de reprovação, como sempre… Cinderela chegou com as fadas madrinhas. Mogli, o Menino Lobo, Aladim e sua Lâmpada Maravilhosa e Saci Pererê, com seu cachimbo, chegaram lado a lado. Mais e mais personagens da literatura universal se integraram àquela festa bizarra! Encantada, Angelina esfregava os olhos, sem acreditar no que via…
– Angelina! Angelina! Vamos, filha, acordaaa!
– Ai, mãe! Só podia ser sonho, mesmo! Era bom demais para ser verdade…

* Sônia Pillon é jornalista e escritora, nascida em Porto Alegre e radicada em Jaraguá do Sul desde 1996.

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