Mario, o gênio (Marcelo Lamas)

O recordista de citações nos meus escritos é o poeta Mario Quintana (1906-1994). Pesquisei sua vida e obra em livros, artigos, biografias, entrevistas e documentários. Fiquei alguns dias “ilhado” no centro de Porto Alegre, em museus, bares, cafés, na rua da Praia e na praça da Alfândega, seu habitat.
O poeta foi um solteirão convicto e sempre morou em hotéis. Antes de falir, o Majestic hospedou Mario por 12 anos. O prédio imponente foi recuperado e re-inaugurado, em 1990, como Casa de Cultura Mario Quintana (www.ccmq.rs.gov.br) e o poeta pôde ver seu sonho realizado.
Ao longo da vida, foi tradutor de telégrafo e da Editora Globo (Proust, Balzac, Voltaire e outros), além de jornalista. O escritor fora alcoólatra. Um médico alertou: “Se o senhor não parar de beber, nunca ficará famoso!”. Submeteu-se ao tratamento e livrou-se do vício na década de 50.
Aos 60 anos, rompeu as divisas do sul e tornou-se nacionalmente conhecido. Conseguiu, definitivamente, colocar a conta do hotel em dia. Recebeu a titulação de Doutor Honoris Causa de várias universidades. Escreveu 20 livros (5 de poesia infantil) e 14 antologias. Na coluna Caderno H — que virou livro da Editora Globo —, no Correio do Povo, do Rio Grande do Sul, publicou infinitas máximas universais, como: “A preguiça é a mãe do progresso. Se o Homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda” e “A morte não iguala ninguém: há caveiras que possuem todos os dentes”.
Mario tinha um humor sarcástico. Certa vez, uma jovem repórter, usando um jargão jornalístico que estava na moda, indagou-o esperando uma autodefinição: Quem é Mario Quintana? Com a ironia habitual respondeu: “Sou eu mesmo, minha filha!”.

marcelolamas@globo.com

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Uma resposta para Mario, o gênio (Marcelo Lamas)

  1. Menino, achei mais um entusiasta de Quintana. Sou de Corupá e meus poetas favoritos são Quintana, Coralina e Pessoa. Gostei muito do que escreveu. Um grande abraço do Amorim

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