Por que as pessoas se casam? (Fernando Bastos)

No Best seller A cama na varanda, Regina Lins informa: “Numa pesquisa feita pelo IBGE com pessoas casadas, cerca de 80% dos entrevistados se declararam decepcionados com o casamento. Daí podermos estimar um percentual ainda maior se considerarmos a dificuldade de se aceitar e declarar a falência de algo em que tantas expectativas foram depositadas. Por que, então, as pessoas continuam querendo casar?” Em seguida ela tenta uma resposta: “Assim como na nossa cultura acredita-se que só é possível estar bem vivendo uma relação amorosa, o casamento por amor passou a ser sinônimo de felicidade e, por conseguinte, uma meta a ser alcançada por todos.”

Além do desejo em ser feliz, casa-se a meu ver, por outros fatores:

1 – As mulheres, em especial, casam para ter filhos. Como bem disse Nietzsche, “Para a mulher, o homem é um meio: o objetivo é sempre o filho.” De fato, a mulher em geral, casa já de olho na prole que virá. Raras são as mulheres que casariam com um homem que não desejasse ter um filho. Experimente dizer a uma mulher que não deseja filho e ela o abandonará no caminho para o altar. A mulher, mais do que o homem, acredita que um filho vai dar significado a sua vida; é a garantia de que, quando ficar velha, alguém ainda vai amá-la. Ficaríamos espantados se fizessem uma pesquisa apontando o número de homens que aceitou ter filhos por livre e espontânea pressão (da mulher). Para a mulher, um homem que não deseja filho é visto como egoísta, insensível e indesejável, em uma palavra, um pária da sociedade.

2 – A maioria das mulheres teme ficar para titias.

3 – Sair da casa dos pais e buscar “independência”.

4 – Ter maior controle sobre o companheiro. O homem (ou mulher) casado (a) é mais fácil de vigiar do que um namorado (a). Muitos homens e mulheres, conscientes ou não, tentam logo amarrar seu objeto de amor porque assim ele não vai mais poder se divertir e gastar seu dinheiro com outros que não seja com ele (ela). Essa atitude decorre do ciúme que faz com que as pessoas não desejem compartilhar a pessoa amada com o mundo. Muitos ciumentos simplesmente não suportam que seu par amoroso se divirta e seja feliz sem a sua presença; a felicidade do ser amado sem ele (ela) por perto seria sinal de que ele já não o (a) ama como antes.

5 – E ainda poderíamos pensar no fator segurança. Muitos casam visando alguém que vai lhes amparar para o resto da vida. De fato, poucos não se sentem angustiados com a possibilidade de solidão na velhice.

Se as pessoas desejam tanto casar, por que passado certo tempo, as brigas se tornam rotina e o desejo de separação fica estampado em seus rostos? O aumento de separações não ocorre exatamente porque o casamento seja mau; é o formato perverso, que aperta como uma camisa de força, que obriga exclusividade e impõe regras que é injusto. E geralmente, tudo que é obrigatório gera infelicidade. O casamento convencional é semelhante a uma prisão, da qual cada um é impedido de sair e respirar outro ar de vez em quando. O casamento ainda se assemelha a uma ilha, onde apenas o casal convive, e ambos são proibidos de nadar até as ilhas próximas. Podem vê-las, admirá-las, mas não podem chegar perto. Isso é tedioso, cruel, desumano.

Alguns poucos casais que conseguiram dominar o ciúme, estão se aventurando em formas alternativas de casamento, como morar em casas separadas, praticar o casamento aberto, suingue ou poliamor. Mas não vi pesquisas que comprovem que estes casais são mais felizes do que os tradicionais.

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