Seres Humanos (Tiago Nascimento)

Já nasce, Já chora, Já mama, Já olha
Já sorri, engatinha, Já grunhe, balbucia
Já anda, Já morde, Já fala, Já corre
Já brinca, De bola, Já brinca, Lá fora
Já sabe mentir e amor sentir.

Já estuda, Já aprende
Já lê, escreve E entende
Já telespecta, Já namora
Mas o que gosta mais: jogar bola.
Já sabe sentir amor, mas prefere mentir.

Já mente, Já enrola, Já foge Da escola
Já procura liberdade, Não corta o cabelo
Já ouve Rock E demora no chuveiro
Já fuma, Já bebe E palavrões Escreve
Já se alista E trabalha E como adulto Fala.
Se sente amor, não sabe fingir.

Já namora, Se casa E quer Casa
Já trabalha Na fábrica E acha a vida: Muito lógica
Já é pai, Já educa, Se estressa, Machuca
É duro, É forte, Tem medo Da morte
Já comprou Um carro E mudou De trabalho
Já briga Com a esposa, E bebe -Que coisa!
Já casa Os filhos E anda Nos trilhos.
Já se aposenta Já para E nos “findis” Embaralha
Já reclama Da política, Sente medo De polícia
Ainda sabe mentir, mas prefere não mais iludir… ninguém.

Já tem riffs De nostalgia, É avô, Sofre de embolia
Já de muitos males Outros adoece
Já logo porém Reestabelece-se

Só observa A vida E manera A bebida
Já usa Peruca E caduca -Velho biruta!
Já adoece, Já morre, E no céu a Divindade o acolhe.
Já não pode fingir nem tampouco amor sentir.

Já conheceu Deus e pediu pra voltar
Pros seus Pro lado de cá.

Então nasce outra vez E chora de novo
Já mama outra vez, Já olha de novo
Já sorri outra vez, Já engatinha de novo
Já grunhe outra vez, Já balbucia de novo
Já anda outra vez, Já morde de novo
Já fala outra vez, Já corre de novo
Já brinca outra vez, De bola, de novo
Já brinca outra vez, Lá fora de novo
Já sabe mentir e amor sentir mais uma vez.

Já estuda outra vez E aprende de novo
Já lê, escreve outra vez E entende de novo
Já telespecta outra vez Já namora de novo
Mas ainda gosta mais De jogar bola… no play 2.
Já sabe sentir amor, mas prefere mentir mais uma vez.

Já mente de novo E enrola outra vez
Já foge de novo, Da escola outra vez
Já procura liberdade de novo, Não corta o cabelo outra vez
Mas não existem bons Rocks dessa vez…
Ainda se demora no chuveiro outra vez
Fuma maconha agora, E bebe outra vez
E palavrões novamente Escreve outra vez
Já se alista de novo E trabalha outra vez
E como adulto de novo Fala outra vez.
Novamente se estiver a sentir amor, não saberá fingir.

Já namora novamente, Já casa outra vez
E quer como sempre: Casa outra vez
Já trabalha novamente, Noutra fábrica dessa vez
E acha a vida novamente Muito lógica outra vez
Já é pai de novo, Já educa outra vez
Se estressa como sempre, Machucando os seus
E é duro novamente Sendo forte outra vez
Tem medo somente De morrer sem poder
Comprar novamente Um carro. Que belez…a.
Já mudou novamente De emprego outra vez
E briga de novo Com a esposa e as outras três
E bebe novamente – Que coisa! Outra vez?
Já vai casar novamente outros filhos dessa vez
E anda sorridente Nos trilhos outra vez
Já se aposenta novamente Parando aos 53
E nos feriados geralmente Joga damas ou xadrez
Já reclama novamente: De política, mais uma vez
E seu medo premente: Ficar demente de vez
Continua ainda sabendo mentir, mas prefere não iludir… ninguém.

Sofre crises de choro Por ser idoso outra vez
Então de novo vira avô E novos netos amenizam a viuvez
De muitos males novamente Outras vezes adoece
Já logo, porém, de novo, Tudo passa, se reestabelece.
Já usa mais de uma vez Pílulas azuis pro dormente
E caduca de vez. – Velho biruta! E indecente.
Não adoece de novo Mas morre outra vez
Pro túmulo vai seu corpo Mas sua alma, meu Deus!

Já não nasce outra vez
Nem chora, mama, olha ou sorri
Não engatinha, não morde
Não fala ou corre
Não brinca de bola ou re-brinca lá fora.
Não soube viver, melhor nem renascer.

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Sobre Tiago Carpes do Nascimento

Brasileiro, casado, vinte e poucos anos, escritor por obrigação e prazer, professor, curioso, eclético em matéria de música, adora livros e filmes inteligentes (instigantes), cristão, conservador, gosta de política, já sonhou ser presidente do Brasil, presidiu comitê municipal de sigla política, mas a desilusão foi tanta que hoje se contenta apenas em contribuir para a melhoria da educação e para o crescimento vegetativo da população, tendo dado o seu contributo em duas ocasiões. Belíssimas ocasiões, diga-se de passagem!
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Uma resposta para Seres Humanos (Tiago Nascimento)

  1. Ótima, uma viagem sobre a vida… parabéns meu caro amigo!

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