REVOLVIDA (Fred Paiva)

 

Por que
você bate no portão
sem camisa – sem noção –
com pretextos de ver a menina?

Atrapalha minha cerveja
meu domingo calmo,
de família,
pra te fazer sala.

Fico preocupada.

Você pra lá e pra cá com a criança,
falando merda,
na loucura que te fez vir aqui
de bicicleta…

Se toca.
Vaza.
Se boicota.
Me esquece.
Desfalece.
E me deixa.

Foi difícil
mas te esqueci,
você esteve aqui no meu peito
apunhalado por muitos meses
mais de ano
me danando
e enchendo a vida de vazios,
lacunas, lapsos de memória
tijolos assentados de ressentimento.

Sei que não é culpa sua,
não somente sua.
Me levei,
me deixei levar.
Foda-se,
você passou e eu fiquei
retornei à tona.

Ainda levo umas pauladas
às vezes,
mas já não é por ti,
é pelo resto de lama que me deixei afundar.

Vai melhorar,
vou passar.
E você não nunca vai mais fazer falta por aqui.
Então vai.

E para de me perturbar.


Fred Paiva
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Uma resposta para REVOLVIDA (Fred Paiva)

  1. Vana disse:

    Não é qualquer um que tem a coragem de usar a palavra forte que, com certeza, seria usada por uma mulher nesta hora.
    Absolutamente verdadeiro.
    Parabéns

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