Por que ter Filhos? (Fernando Bastos)

Dou minha vida pelos meus filhos, não consigo imaginar minha vida sem eles. Filhos dão trabalho, mas os momentos de prazer ao lado deles superam qualquer dificuldade. Sei que estou repetindo frases clichês, mas que representam uma verdade para muitos pais.

Acredito que você também, que já é mãe ou pai, pensa igual a mim, que filhos são tudo isso que acabei de mencionar, mas será que somos a maioria? Será que filhos estão trazendo felicidade para a maioria dos pais? E estes, estão correspondendo ao que um filho necessita?

Um filho pode mudar a vida do casal para sempre. Nos dois sentidos. Esse artigo tem por objetivo conscientizar jovens enamorados a pensar muito antes de aumentar a família, pois percebo muitos casais fazendo filhos e não tendo maturidade suficiente para cuidá-los do jeito que toda criança merece.

Você já se perguntou por que geramos descendentes?

Basicamente, crianças vêm ao mundo por dois motivos: por descuido do casal ou por que os pais (ou um deles) acreditam que o filho irá completá-los (as). Nesse caso, o filho representa aquela centelha da felicidade que ainda falta ao genitor; uma espécie de salvador da Pátria, que irá dar sentido à sua vida.

Certamente há outros fatores que motivam as pessoas a ter filho, por exemplo, corresponder ao que a sociedade espera delas e não ficar para titia ou titio. Mas, de início devo dizer que não acredito que a intenção primeira seja a vontade de presentear um filho com esse mundo lindo e maravilhoso, cheio de justiça, paz e fraternidade. Sabemos que o lugar que ele encontrará não é esse. Ninguém faz um filho pensando primeiro na criança. É antes pensando em si mesmo. Em quais benefícios ela lhe trará. O homem que mal havia saído da pré-história não pensava em controle de natalidade; procriava porque os deuses queriam e pronto. E quanto mais descendente melhor, pois esse novo integrante representava a futura mão de obra (ajuda na lavoura e nos serviços de casa) apoio aos pais na velhice, e soldados para o exército. Hoje, filho não representa mais um auxílio econômico (ao contrário, embora as crianças sejam a alegria da casa, dão despesa) e passou a ter valor emocional, o apoio psicológico na vida do casal.

O pensamento de alguns filósofos niilistas é perturbador, mas gostaria de convidar o leitor a refletir sobre ele: se fôssemos racionais e menos egoístas, não teríamos motivo para colocar bebês no mundo. Antes, adotaríamos todos os infantes abandonados. Pois aí sim, estaríamos exercendo um dos maiores atos de amor. Ora, se fosse dado aos pais uma bola de cristal a fim de saber tudo o que seu filho iria passar, é bem certo que evitariam tanta dor a ele, desistindo da procriação. Quem colocaria um bebê no mundo se soubesse que ele padeceria de uma doença terrível, que o flagelaria por toda a vida ou que, na adolescência, seria atropelado e ficasse numa cadeira de rodas para sempre? Mesmo quando um bebê nasce sadio, terá outros obstáculos à medida que vai crescendo. Cólicas, dores de dente, de ouvido, na primeira infância;  conflitos na adolescência; os medos e inseguranças na fase adulta e na velhice, as dores da idade, que culminam na morte, quase sempre precedida por meses ou anos de melancolia. A vida é tão dura, que a maioria da população precisa do estímulo de drogas para suportá-la. Lembre-se que o álcool e os antidepressivos também são drogas. Cerca de 3.000 pessoas por dia cometem suicídio no mundo, a cada 30 segundos uma pessoa se mata. Para cada ato que termina em morte, há vinte pessoas que tentaram e não conseguiram, muitas vezes deixando sequelas. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

No entanto, Bertrand Russel, filósofo britânico, criticava os niilistas, dizendo que eles só viam parte do problema, e que o mundo poderia ser um lugar melhor se as pessoas dessem as mãos e lutassem por um lugar melhor de se viver. Estou com Sir Russell, embora às vezes me desanimo com tantas notícias desoladoras: crianças maltratadas e sendo rejeitadas pelos pais, que impelidos por um momento de prazer, não pensaram que daquele ato poderia surgir uma vida.

Ao ler várias pesquisas na internet, vejo que a maioria dos estudos científicos aponta para um resultado nem um pouco politicamente correto: dão que casais com filhos são mais infelizes que casais sem filho. No livro “O Ciclo Vital” de Helen Bee, psicóloga americana, ela concorda com esse pensamento. Ela ainda informa que casais com filhos são insatisfeitos até a hora em que eles saem de casa. Depois disso, a situação se inverte, de modo que os casais que tiveram filhos se tornam mais felizes do que aqueles casais que não os tiveram. A explicação: depois de velhos, a necessidade de se divertir a dois, sair à noite para festas declina vigorosamente, e o casal quer ficar o maior tempo possível em casa. Portanto, aquele casal que teve filhos e agora os vê crescidos, morando em suas próprias casas, sempre que quiser, poderá visitá-los, brincar com os netos, de modo que sentirá menos solidão do que aquele outro casal sem filhos.

Vi outro estudo, no entanto (Universidade de Milão), que mostra que casais com bom rendimento financeiro e têm filhos são mais felizes que casais pobres que têm filhos. É que os casais ricos podem manter a vida social, usufruir dos prazeres que o dinheiro proporciona, têm babás e bons colégios para deixar os filhos, conseguem suprir todas as necessidades básicas que um filho exige: proteção, educação, lazer. Uma das fontes de frustração de casais mais desfavorecidos é não poder dar o mínimo que seus filhos merecem.

Na minha opinião, precisamos relativizar o efeito dos filhos em nossa felicidade. Eles só serão obstáculos se não estivermos preparados psicologicamente para recebê-los. Infelizmente, na mais das vezes, é o que acontece. Acredito também que precisa ter vocação para ser pai ou mãe. E saber renunciar a muitos prazeres da vida de solteiro, porque filho exige responsabilidade, afeto, carinho. E dedicação total dos pais por pelo menos dezoito anos.

Penso que ninguém deveria fazer filho apenas porque os outros estão pressionando ou porque você anda triste com a vida. Se alguém deseja casar e ter filhos, deve estar preparado para tudo que virá pela frente.  Não são apenas beijos e sorrisos enternecedores que irão encontrar; ser pai ou mãe demanda muita paciência, renúncia e responsabilidade. Não há dúvida de que aquelas pessoas cujo temperamento é mais calmo, conciliador, gostam de ficar em casa e adoram crianças terão maiores chances de serem felizes no casamento com prole do que aquelas de espírito livre, amantes da vida noturna, e que são impacientes por natureza. Como esse segundo grupo é a maioria, fica fácil de entender porque as pesquisas revelam tantos casais decepcionados com a missão de cuidar de seus rebentos.

O que não deveria mais acontecer é casais sem estrutura psicológica colocando filhos no mundo. Muitos desses casais vão depois largá-los para outros cuidarem ou os deixarão em orfanatos, na rua, e em lugares piores. Quem está pensando em gerar um filho, devia se perguntar: tenho condições de dar o que a criança merece? Saberei renunciar a assuntos de meu agrado pelo filho? Penso que o mundo já esta cheio de crianças abandonadas pelos pais. Elas não merecem isso.

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4 respostas para Por que ter Filhos? (Fernando Bastos)

  1. Inacio Carreira disse:

    Acredito que a resposta às dúvidas colocadas pelo Autor está na letra da música MULTIPLICATION, de Bobby Darin: esta é a lei, o CRESCEI E MULTIPLICAI-VOS… O restante é cultura, aculturação e outros tantos nomes que queiramos dar ao fato…

  2. Fernando Bastos disse:

    vou em busca da letra…valeu Inácio

  3. Pensar sobre filhos é quase tão complicado quanto pensar em Deus: nenhuma resposta satisfaz.
    Pensar pouco corremos imensas possibilidades de “destruir” muitas vidas.
    Pensar muito, acabamos descrentes da paternidade (maternidade).
    Filho é acontecimento para toda vida, muito mais do que o próprio casamento, os termos (filosofias e elucubrações a parte) é inerente ao fato inquestionável de sermos animais e a preservação da espécie é um berro dentro de nós.
    O bicho homem é um dos que mais desconsidera seus filhotes e os mata num piscar de olhos e, paradoxalmente, é quem os acalenta por mais tempo. Tão ambíguo como tudo que nos caracteriza.
    Não tê-los por que o mundo é cruel? E quando o mundo não foi?
    Como tantos outros aspectos da vida: quem tiver consciência faça o melhor possível sabendo que jamais acertará tudo.

  4. Fernando Bastos disse:

    sim, Vana, é difícil pra todo casal saber se deve ou não ter filho, se vai saber criar ou não. mas creio que ha alguns indícios q podem facilitar o processo da decisão em ter ou nao ter filho, ou ter agora ou mais tarde. tentei dar uma resposta pra isso no meu artigo acima, mas claro, nao esgota o assunto, já que suscita debates ad infinitum.

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